Uma sequência de publicações veiculadas na imprensa local torna pública divergência entre o juiz Ari Queiroz e o desembargador Paulo Teles, no que se refere à magistratura goiana.
No último dia 14, em entrevista concedida ao Jornal Opção (leia aqui), o presidente do TJGO declarou sua pretensão de “punir os maus juízes, os TQQs” – termo pejorativo que se dá para juízes que só trabalham às terças, quartas e quintas-feiras. Sem citar nomes, Paulo Teles disse que 2% dos juízes não moram nas comarcas e que “eles não têm motivos para alegar, não dão explicação. Simplesmente não comparecem ao trabalho”. E afirmou também: “Entendo que juiz não tem motivo para reclamar. Quando tem carga exagerada, de 8 mil, 10 mil, 15 mil processos, eles reclamam. A média razoável é de 4 mil a 5 mil processos. Mas não pode reclamar do ganho. Juiz em início de carreira ganha R$ 19 mil, mais R$ 4 mil se tiver o Eleitoral. Um jovem juiz pode começar ganhando R$ 23 mil. Reclamar de quê? No mercado não tem esse salário, nem governador ganha isso. Mas esse salário é justo, só que o desempenho também tem de ser responsável”.
No domingo passado, dia 5, num artigo publicado no jornal Diário da Manhã (leia aqui), o juiz Ari Queiroz saiu em defesa da magistratura, rebatendo as declarações do presidente do TJGO: “Um último ponto da entrevista do presidente que me chamou a atenção reside na resposta à pergunta do jornalista, se os “juízes também reclamam?”. Nesse momento, segundo consta, o presidente disse não ver motivo para nós, juízes, reclamar, afinal ganhamos 19 mil reais por mês, mais 4 mil, quando no exercício da função eleitoral, totalizando salário bem acima do mercado e até maior que o de governador. A comparação não cai bem; governador não precisa e nem vive de salário; ele mora no palácio, tem toda a estrutura a seu dispor e de seus familiares, usa avião e helicóptero oficial para se locomover, enfim, não tem os gastos que temos, e nem prestou o concurso que prestamos. Quem acha que ganhamos muito, faça como nós: prepare-se e passe no concurso e não terá do que reclamar.”
Hoje, domingo, dia 12, Paulo Teles veio à réplica, num artigo publicado no jornal Diário da Manhã (veja aqui), e declarou: “Quanto ao fato do dr. Ari Ferreira de Queiroz e seu reduzidíssimo número de patrocinados (2%) proclamarem-se mal representados pela minha pessoa, recebo a afirmação como saudável elogio. Isto porque o conceito de ética funcional por eles cultuada agride a consciência e afronta a moral das pessoas de bem. São, por isso, merecedores da minha permanente vigilância.”
Para os que acham que o clima nos bastidores do Judiciário goiano tem sido só de paz-e-amor, as recentes publicações mostram um ambiente nem tão harmônico assim.
Difícil acreditar que a manifestação do presidente do TJGO seja o último capítulo desse debate. A senha deixada por ele, no último parágrafo de seu artigo, pode servir de código para novas manifestações.
É esperar pra ver.







4 respostas Até agora ↓
Marília // 13/07/2009 - 14:03 às 14:03 |
Lendo os dois artigos, na íntegra, creio que o Presidente não entendeu bem as palavras do Dr. Ari, ou será que eu é que não entendi???
Richard Belle Branco // 13/07/2009 - 14:09 às 14:09 |
Pra mim, Marília, as ponderações do Dr. Ari versavam sobre questões ligadas à produtividade, como estampado no título do seu artigo.
Andecc - Associação nacional de Defesa dos Concursos para Cartórios // 02/08/2009 - 11:07 às 11:07 |
A Andecc parabeniza o Dr. Paulo Teles por sua brilhante defesa dos verdadeiros e muito dignos magistrados goianos, cujo valor não é diminuído por alguns poucos, pouquíssimos, que teimam em laborar contra a sociedade, visando, em primeiro lugar, seus próprios interesses!
Por óbvio que os magistrados merecem perceber mais do que já lhes é pago, mas, dentro da realidade brasileira, é remuneração considerável, apesar de bem merecida!
Parabéns, Dr. Teles,
Nunca deixes de vigiar,
a sociedade goiana e brasileira precisa muito disso!
Bruna Barreto // 02/08/2009 - 16:18 às 16:18 |
A lucidez do Dr. Paulo Teles é digna de loas. Entre muitos magistrados acometidos da famosa “juizite”, ele se destaca como um homem compromissado com a sua pública função, correto e altamente ético. A ele se deve ainda o mérito pela transparência do concurso público para ingresso na atividade notarial e registral, que tem sido ardorasamente atacado pelos “coronéis dos cartórios” os “sem concurso”, que querem manter, a qualquer cu$to suas “galinhas dos ovos de ouro”, contando para tanto e infelizmente, com o apoio de juízes cujo despreparo e despudor desonram a magistratura goiana.